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  Revista O Tira    

A serviço da segurança do cidadão

Órgão de divulgação oficial de entidades de classe da Policia Civil

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HISTORIA

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Nesta pagina, historia, o leitor saberá como surgiu a Revista O Tira, sua formação, luta, e desenvolvimento. Alem desta você poderá contar com um acervo histórico, Sociedade Veteranos (Epopéia de32 -Revolução de 32 - Movimento Constitucionalista 32), 29 de outubro,A Bem da verdade, Dia internacional da Mulher, Revolução 30 -75 anos Depois,Desarmamento A alegria do crime, A bomba atomica, Nano,que deixaremos adicionado para sua leitura. A Revista o Tira não se responsabiliza pelos artigos assinados , que são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam necessariamente a opinião da revista. Direitos reservados : não é permitida a transcrição integral ou parcial dos textos e imagens sem expressa autorização do editor.

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A todos , uma boa leitura.

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D E S D E    1  9  8  1    L  U  T  A  S    E    S  U  C  E  S  S  O  S

A Revista O Tira, fundada ano de 1981 por um grupo de idealistas, diretores da então Associação dos Investigadores de São Paulo, atualmente sindicato, ao longo dos anos este órgão de imprensa passou a ter vida própria e independente de qualquer entidade de classe, visando, dessa forma, enfrentar o competitivo mercado da mídia especializada em segurança pública.

Sempre procurando justificar o seu slogan – “A serviço da segurança do cidadão”, a revista O Tira tem buscado nesses anos, sobretudo, orientar o cidadão sobre as mais diferentes formas de segurança pessoal e patrimonial, além de, efetivamente, servir de elo entre a população e o policial, sem, contudo, abrir mão do direito de exercer severas, porém construtivas críticas às instituições, tanto civis como militar, diante de situações que extrapola o restrito cumprimento do dever legal exercido pelos policiais paulistas.

Ademais, a revista O Tira procura estar sempre atenta e disposta a abraçar todas as causas de iniciativa social, a exemplo da significativa participação junto aos CONSEG’S - CONSELHO COMUNITÁRIO DE SEGURANÇA; ao PROERD - PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA AS DROGAS E A VIOLÊNCIA, e ao SOS CRIANÇA, mediante a um convênio com a SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, de permanente apoio com a divulgação de fotos de crianças desaparecidas, e permanecendo atenta durante suas existências.

Com essa trajetória de muito respeito à causa pública, especialmente em que concerne a segurança, a revista O TIRA prima, por um público seleto de leitores abrangidos por uma distribuição dirigida que atende a todos os Distritos e Departamentos da Policia Civil da Capital; Delegacias Regionais, Seccionais e Distritos Policiais do Interior de Estadas Delegacias e Departamentos da Policia do Estado do Rio de Janeiro; Policia Militar do Estado de São Paulo, Secretarias de Segurança e Governos de todos Estados e Distrito Federal, Senado, Esplanada dos Ministérios e Assessoria de Imprensa da Presidência da Republica, além de um considerável número de assinantes e fiéis anunciantes.

Esse é, portanto, o breve resumo de mais duas décadas de muita luta, com muito suor e sobrepujando, torcidas contrárias, e finalmente ingressando, apesar das turbulências financeiras que mais uma vez atingem a economia brasileira, em uma nova fase de crescimento e prosperidade.

Iniciados o ano l999 a com DIPE (DIVISÃO DE PREVENÇÃO E EDUCAÇÃO), subordinado ao DENARC, que formou agentes, que fazem parte desse departamento, e que representam um grande auxílio à sociedade.

 

matérias

SETEMBRO/2006

Prezado Cliente, Estamos através deste e-mail informando que nossa equipe está continuamente empenhada em resolver a restauração de seus dados. Segue abaixo maiores informações sobre a posição desta restauração. Nós remetemos o disco rígido de produção e de backup à uma empresa especializada no último dia 21 de Julho, contanto pela demora desta empresa e pela falta de informações sobre a recuperação, nossa equipe resgatou o disco e encaminhou à uma segunda empresa reconhecida como a melhor em recuperação de dados segundo a Universidade de Michigan. Este disco rígido passa agora à empresa "OnTrack http://www.ontrack.com" que ficará responsável pelo resgate dos arquivos no disco e nos relatará até dia 06 de Agosto sobre o status desta recuperação. A OnTrack trabalhará arduamente durante toda esta semana juntamente com nossa equipe empenhada na recuperação dos arquivos de backup que estavam devidamente atualizados no antigo servidor. Todos nós possuímos esperança que poderemos recuperar os dados que foram danificados pela falha de hardware no RAID. Gostaríamos de ter a chance de continuar tendo seu site hospedado conosco, e garantimos que problema desta mesma natureza nunca mais ocorrerão visto que nossos engenheiros já tomaram as devidas medidas técnicas necessárias. Estaremos sempre à sua disposição para esclarecer quaisquer dúvidas que se tornem necessárias. Equipe MaxiHost.

ATENCIOSAMENTE

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HISTORIA * /* ACERVO
24junho
A Sociedade Veteranos
A Sociedade Veteranos de 32 MMDC, que mantém sua histórica denominação,mas constitui-se como Associação,, fundada a 7 de junho de 1954, com propósitos cívicos, patrióticos e junto a Casa Civildo Governo do Estado de são Paulo, e reconhecida de Utilidade Publica. 
A Associação tem por fim precípuo preservar, arquivar e difundir por todos os meios de comunicação ao seu alcance o documento denominado Carta aos Posteros, transmitindo a memória do povo brasileiro, a dignidade e grandeza do Movimento Constitucionalista de 32.
Abrindo núcleos como a de hoje em Santo André, reunidos no Tiro de Guerra e ampliando o numero de núcleos pelos municípios de são Paulo. 
E convida a todos a participar da 1.a. Caminhada 9 de junlho - 825 kms de amor a são Paulo. - Em 1932 são Paulo lutou pela democracia - Em 2006 são Paulo caminha pela cidadania.
Caminharemos 825 quilômetros, cruzando o Estado de são Paulo de ponta a ponta, participando de solenidades em todas as cidades do roteiro que organiza eventos. Inscrições (011) 31058541.
Cerimônia comemorativas do 74.o. aniversario do Movimento Constitucionalista de 1932 , a realizar-se 9de julho de2006 as 09hs, na :Av. Pedro Álvares Cabral (defronte ao Mausoléu do Soldado Constitucionalista) são Paulo -SP. 

Epopéia de 1932
A população de São Paulo demorou a notar que havia um levante em marcha naquele NOVE DE JULHO DE 1932. Era uma típica noite paulistana de sábado e as ruas do centro estavam animadas, com aquele aspecto cosmopolita que tanto agradava aos paulistas, orgulhosos de sua metrópole de um milhão de habitantes. Nos cinemas lotados, alguns assustavam - se co o VAMPIRO DE DESSELDORF, que estreava no ODEON, enquanto outros optavam por MARLENE DIETRICH em O EXPRESSO DE SHANGAI, no PARAMOUNT. O TEATRO BELA VISTA apresentava uma companhia portuguesa e prometia para breve à volta de PROCÕPIO FERREIRA, com suas piadas sobre GETULIO, chefe do GOVERNO PROVISÓRIO, que o publico considerava ..impagáveis.. . Os bares e cafés ainda fervilhavam, enfumaçados, quando, por volta das 22 horas, começaram os primeiros movimentos de tropas. Chamou a atenção que, pouco depois, alunos de Direito, bem como advogados, juizes e professores começaram a circular com fuzis a tiracolo. Irmanados num mesmo IDEAL, alistaram-se como combatentes voluntários na tradicional FACULDADE DE DIREITO DO LARGO SÃO FRANCISCO. 
Eram os primeiros movimen5tosostensivos de uma revolução marcada pela paixão com que o povo de SÃO PAULO se atirou a uma luta que foi ficando mais desigual e sangrenta 'à medida que aumentavam as traições 'a causa que a levou ao combate.. depor o governo VARGAS e reconstitucionalisar o Pais.
Setenta e dois anos da epopéia paulista foram comemorados no dia 9 de JULHO. Esse movimento foi desencadeado em SÃO PAULO, em 9 de julho de 1932, com repercussão pelo BRASIL todo, pois cidades como SOLEDADE, no RIO GRANDE DO SUL; SENGES E CASTRO, no PARANA e outros rincões do nosso bloco, libertaram - se da ditadura VARGAS, lutando pelo retorno da Constituição. Na tropas do exercito constitucionalista se engajaram mineiros, alagoanos, pernambucanos, baianos, enfim todos aqueles que viviam em são Paulo, ao lado de italianos, austríacos, russos, portugueses e outras colônias (ainda recentemente, um historiador nipônico, pesquisando no MMDC, encontrou nomes de combatentes japoneses).
GETULIO VARGAS tornou-se ditador em 1930, por motivos políticos (a quebra do café com leite, isto e, a presidência da Republica ora era de um representante paulista, ora era de um mineiro) econômicos (a quebra da bolsa de valores de ova York e a desvalorização abruta do preço do café) e militares (os tenentes, isto e, os rebeldes das revoluções de 1922 e 1924, desejavam o poder do pais e passaram a apoiar GETULIO VARGAS em seus planos revolucionários). Assim que assumiu o poder, o ditador mandou para são PAULO, como interventor, um tenente pernambucano, JOÃO ALBERTO, figura antipática ao Estado, que não durou muito tempo. Não tendo o devido respeito para com o Estado que mais produzia para a Nação, não considerando os homens de valor de são PAULO, o sentimento de revolta foi se avolumando e um povo todo passou a exigir a volta da constituição, rasgada por GETULIO.
O MOVIMENTO DE 32, portanto, nuança foi separatista, como tanto foi apregoado. Surgiu do ideal de um povo em sua luta pela liberdade, de grande sentimento cívico, dirigido por homens sérios e competente, e que tinham como objetivo supremo à restauração da LEI e da ORDEM, do regime democrático, então ameaçado pelas atitudes despóticas do senhor GETULIO VARGAS.
Na noite de 9 DE JULHO, civis armados, ligados ao MMDC - sigla formada com as iniciais dos nomes de MARTINS, MIRANDA, DRAUSIO E CAMARGO, jovens paulistas mortos durante o 23 de maio -, ocupam os correios e as estações telegráficas. Tropas da 2.a. Região Militar e da Forca Publica, sob o comando do CORONEL do Exercito Brasileiro, EUCLYDES FIGUEIREDO, tomam todos os pontos estratégicos do Estado e se preparam para partir para as frentes de batalha.
No dia seguinte, 10 de julho, os jornais, em letras colossais, anunciam o movimento armado que acabava de explodir. Um manifesto e distribuído ao povo. Os generais ISIDORO DIAS LOPES e BERTOLDO KLINGER assumem a chefia do movimento. O embaixador PEDRO DE TOLEDO e nomeado GOVERNADOR DE são PAULO. Milhares de civis se apresentam ao EXERCITO CONSTITUCIONALISTA. Nunca, na historia do Brasil, se havia visto um movimento militar de tamanha dimensão. O movimento mobilizou, de ambos os lados, aproximadamente 135mil homens. são PAULO, apesar de contar com 10.200 homens da FORCA PUBLICA, e de 3.635 homens do 2.o. Exercito, alem de quase 20 mil voluntários, percebeu o quão preocupante era a situação relativa a armas e munições. Com os arsenais de são PAULO desabastecidos por cautela de GETULIO, desde a revolução de 1930, inclusive com a eliminação de nossa aviação, a situação se tornou critica. A tropa da FORCA PUBLICA dispunha, no dia 10 de julho de 1932, de 8.685 fuzis de diversos modelos, a maioria em péssimos estado de conservação. O 2.o. Exercito contribui com 7.800 fuzis. Destes, 5000 estavam defeituosos. As armas automáticas eram da ordem de 144 metralhadoras pesadas e 515 fuzis metralhadoras. Ao total, são PAULO dispunha de 16.485 fuzis e 659 armas automáticas, alem de seis milhões de tiros em estoque. Era muito pouco para sustentar o conflito armado. O governo central contava com cem mil homens, todos treinados e equipados com farto e moderno equipamento bélico, adquirido 'à vontade no exterior. O Estado de são PAULO, co suas fronteiras bloqueadas, estava impedido de adquirir armamento fora de Pais. Com pouco mais de trinta e cinco mil homens, muitos dos quais voluntários sem qualquer preparo militar, com armas obsoletas e com escassa munição, desde o inicio são PAULO teve de improvisar. Contava com o apoio do RIO GRANDE DO SUL, MINAS GERAIS E MATO GROSSO, nos seus planos de revolução, mas esses Estados se bandearam para o lado do governo e deixaram são PAULO sozinho. Os engenheiros da escola politécnica do Estado desenvolveram vários tipos de armamento para equipar o exercito constitucionalista. O PARQUE INDUSTRIAL de são Paulo foi mobilizado para o esforço de guerra e, com isso, produzimos capacetes de aço, morteiros, munições e ate trens e carros blindados. Foi graças 'a industria paulista que a resistência se tornou viável, com o grande apoio da Associação Comercial, capitaneada por CARLOS DE SOUZA NAZARETH. não podemos esquecer a participação importantíssima da mulher na revolução, pois foi a ela que seus maridos, filhos e parentes puderam ir para a frente de batalha, sabedores do apoio delas na retaguarda (tecendo fardas, proporcionando a alimentação necessária e os cuidados aos feridos, na LIGA DAS SENHORAS CATÓLICAS e na CRUZADA PRO-INFANCIA).
No enfrento, apesar de todos os feitos, a luta foi de extrema violência. O TÚNEL, VILA QUEIMADA, BURI, CUNHA, ITARARÉ, e muitos outros lugarejos se tornaram nomes lendários na historia de são Paulo. Durante três longos meses (julho, agosto, e setembro) de 1932, as forcas paulistas, apesar de três vezes menores que as forcas governistas, resistiram com extrema galhardia. Defendiam o solo paulista palmo a palmo.
Foram imolados na inglória luta armada de irmãos contra irmãos, cerca de 830 homens (630 do lado dos que lutavam pela constituição e 200 das tropas governistas). Sete estudantes de Direito morreram no campo de batalha. Seus nomes estão gravados em um monumento construído no pátio da Faculdade>> JOSE MARIA D'AZEVEDO, CESAR PENNA RAMOS, ARGEMIRO ALVES SYKVESTRE, ARY CARNEIRO FERNANDES, NELIO BAPTISTA GUIMARÃES, HERNMES DE OLIVEIRA CESAR E JOSE PREISZ, estudantes húngaro que se tornou um dos símbolos do patriotismo, pois, mesmo não sendo brasileiro, deu a vida pela causa paulista.
Com uma estratégia defensiva, o exercito constitucionalista foi se enfraquecendo. O ALTO - COMANDO da revolução percebeu que seria inútil continuar a campanha, pois muitas vidas seriam sacrificadas. Resolve, então, solicitar a CESSAÇÃO DA HOSTILIDADES ao governo ditatorial. O pedido foi aceito e no dia 2 de outubro, um protocolo foi assinado, em cruzeiro, onde se definiam as regras do termino do movimento constitucionalista. 
De imediato muitos não acreditaram. Foi um choque. Era verdade. são PAULO estava derrotado. Mas a luta dos paulistas não foi em vão. GETULIO percebeu o clima reinante e resolveu ceder. Em 1933 nomeia a CONSTITUINTE E, EM 1934 E PROMULGADA A NOVA constituição do Brasil, PELA QUAL OS PAULISTAS TANTO HAVIAM LUTADO.
Setenta e dois anos transcorridos das lições de civismo e heroísmo que envolveram a REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA. Mas a memória deste movimento continuara, para sempre, viva na mente daqueles que dela participaram e daqueles que, com verdadeiro amor 'a HISTORIA, cultivam o IDEAL DE DIREITO DE 1932, como a nossa SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC, apesar de imensas dificuldades quanto 'a infra-estrutura (carecemos de um MEMORIAL onde as lembranças de 32 pudessem servir de estúdios para as gerações futuras e de ajuda governamental para podermos desenvolver com real proveito um trabalho de divulgação dos feitos dos heróis daquela epopéia). Mas, diariamente, somos procurados para palestras e desenvolvimento do episódios de 32, e, neste ano, escolas estão mandando seus alunos 'a Sociedade Veteranos de 32-MMDC, a fim de procurarem subsídios para trabalhos escolares. são setenta e dois anos transcorridos. Pouco são os heróis vivos de 32. Precisamos tornar imortais esses baluartes da democracia, estudando os episódios da revolução com intuito de, em pleno século XXI, perpetuar a chama da liberdade, da honra, da dignidade, do amor 'a Pátria, acima de tudo.
No nosso MONUMENTO-MAUSOLEU DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA, cartão de visita de nosso Estado e do Brasil, repousam os restos mortais de 733 heróis de 32. Neste NOVE DE JULHO foram conduzidos para o MAUSOLÉU, onde foram imortalizados, mais dez heróis. O PANTEÃO dos heróis da EPOPÉIA DE 32 foi inaugurado em 1954, parcialmente, quando para ali foram conduzidos os restos mortais de MARTINS, MIRAGAIA, DRAUSIO E CAMARGO, feridos na noite de 23 de maio (três deles morreram no mesmo dia - um deles veio a falecer quatro dias depois) e também do herói caboclo PAULO VIRGINIO, homem simples de CUNHA, que não contou para os inimigos onde estava a tropa paulista. Em razão disso, foi humilhado, seviciado (jogaram - lhe um caldeirão de água fervendo, obrigaram-no a cavar a própria sepultura, deram-lhe dezoito tiros e ainda lhe esmagaram o crânio com um golpe de fuzil). Ali, no Mausoléu, repousam o tribuno da revolução, IBRAHIM NOBRE.. o poeta GUILHERME DE ALMEIDA, o escoteiro ALDO CHIORATTO (não tinha dez anos de idade quando foi sacrificado), os jovens DILERMANDO DIAS DOS SANTOS, OSCAR (morreram com idade inferior a 17 anos), os comandantes EUCLYDES FIGUEIREDO, PALMERCIO DE REZENDE, ROMÃO GOMES, JULIO MARCONDES SALGADO, MAJOR MARCELINO, o nosso governador PEDRO DE TOLEDO e outros tantos que tanto dignificaram o Movimento Constitucionalista de 32. A todos eles, o nosso pleito de profunda gratidão e de veneração pelo muito que fizeram pela nossa PÁTRIA.
Terminada a luta, com a imolação de são Paulo, restariam, a mostrar o espírito da gente paulista, os versos de TOBIAS BARRETO, indelevelmente gravados nas paredes da Faculdade de Direito..
^JUNTEMOS AL ALMAS GRATAS, DE COLEGAS E DE IRMÃOS.
O VENTO QUE ACORDA AS MATAS NOS TIRA OS LIVROS DAS MÃOS.
A VIDA E UMA LEITURA E QUANDO A ESPADA FULGURA, QUANDO SE SENTE BATER NO PEITO HERÓICA PANCADA, DEIXA - SE A FOLHA DOBRADA ENQUANTO SE VAI MORRER^.
Por ultimo, encerrando esse breve relato do imorredouro movimento constitucionalista, peco aos senhores que cultuem os valores desses homens de 32, pois eles merecem todo o nosso aplauso e respeito. Graças a eles e que temos uma constituição e não vivemos sob um regime de exceção. Nossa eterna gratidão aos HERÓIS DE 32! * Ventura - dezembro2004 *

Revolução Constitucionalista de 1932

                      Revolução Constitucionalista de 1932
Em 1930, uma revolução derrubava o governo dos grandes latifundiários de Minas :Gerais e São Paulo. Getulio Vargas assumia a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Todas as instituições legislativas foram abolidas, os governadores dos Estados foram depostos. Para suas funções, Vargas nomeou interventores.
Getulio não respeitou a autonomia de são Paulo, nomeando um intervetor de fora, o que desgostou todos paulistas, que não se conformavam com o fato de são Paulo estar sendo comandado por um estranho.
O interventor João Alberto pediu demissão. Getulio nomeou então um paulista, o diplomata Pedro de Toledo, mas era tarde, os ânimos estavam exaltados. são Paulo tinha um interventor paulista e civil, mas a situação não se acalmou.
O descontentamento foi aumentando e o povo se revoltou. Em 22 e 23 de maio, estudantes e populares queimaram e empastelaram as redações dos jornais dittoriais e, nesse conflito, foram mortos quatro estudantes de Direito - Miragaia, Martins, Drauso e Camargo. O nome dos quatro serviu para no futuro designar o movimento paulista- MMDC.
A idéia de revolução tomou conta de todos, sem distinção de classe social.
S"ao Paulo estava confiante da vitória, pois contava com o apoio dos militares de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Mas somente Mato Grosso manteve-se leal a SP.
Médicos, engenheiros, químicos, estudantes, operários, padres, freiras, colégios, comerciantes, empresas, associações, industrias, donas-de-cas, formaram a solidariedade publica. Todos acorreram em massa ao chamado da revolução. Era a mobilização de todos os recursos humanos materiais.
A imprensa paulista defende a causa dos revoltosos. Tropas paulistas foram enviadas para todo o Estado. Mas as tropas federais eram mais numerosas e bem equipadas - 35 mil homens de são Paulo enfrentaram um contingente de 100 mil soldados.
Os revoltosos esperaram a adesão de outros Estados, o que não aconteceu.Em outubro de 32, apos três meses de luta, os paulistas se renderam. Prisões, cassações e deportações se seguem 'a capitulação.
A revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior confronto militar no Brasil no século XX.
Durante os quase três meses da revolução, cerca de 300 mil homens participaram das lutas. O principal resultado do movimento iniciado pelos paulistas ocorreu dois anos mais tarde, com a convocação da Assembléia Nacional Constituinte.
O Governador Mario Covas promulgou a Lei n.o. 9.497, que institui o dia 9 de julho como feriado civil, com base na Lei Federal, que autoriza cada Estado a escolher sua data magna. Antonio Carlos Mendes (revista O Tira)

O Movimento Constitucionalista de 32

Em 1930, através de uma revolução comandada por Getulio Vargas instalou-se um governo provisório que prometia melhores condições de vida para a população. Infelizmente o que se viu foram atos de pilhagem e violência contra o povo brasileiro. A Constituição fora suspensa e implantou-se um ditadura repressora e brutal.
No dia de maio de 1932 uma grande manifestação contra a ditadura resultou em conflito na praça da Republica, esquina da Barão de Itapetininga. Quatro jovens - Martins, Miragaia, Drausio e Camrgo, tombaram mortos por partidários da ditadura. As iniciais de seus nomes formaram a sigla MMDC que nomeou a entidade que liderou a luta armada contra a tiraria imposta por Getulio Vargas.
No dia 9 de julho de 1932 irrompeu em são Paulo o Movimento Constitucionalista que tinha por escopo devolver a democracia e a constituição ao Brasil.
Deste movimento civico-militar participaram basicamente efetivos da Forca Publica (hoje Policia Militar de são Paulo), unidades do Exercito Brasileiro sediadas em são Paulo e civis (homens , mulheres, crianças, estrangeiros,etc.).
Em três meses de combate mais de 800 soldados constitucionalistas foram mortos. Como as forcas da ditadura eram muito mais poderosas são Paulo acabou derrotado e, em 02 de outubro de 1932 cessaram as hostilidades . No entanto, os ideais destes heróis constitucionalistas não foram esquecidos tanto que, Getulio Vargas fora obrigado a convocar em 1933 uma Assembléia Constituinte e, em 16 de julho de 1934, foi promulgada a nova constituição. A revolução constitucionalista de 1932 foi um movimento único na historia da humanidade onde um povo bradou unido pela legalidade e democracia.
Desde sua criação em 2004, a Comissão de Resgate da Memória da OAB/SP, preocupou-se em preservar não só a historia de nossa entidade, mas fomentar no advogado e na sociedade como um todo, o civismo e amor a Pátria. Como que entrevendo o movimento politico-social conturbado que seria imposto ao Pais, a OAB/SP irmanada com a Sociedade Veteranos de 32 MMDC, resolveram por bem resgatar e divulgar uma das paginas mais bonitas da historia da humanidade, a revolução Constitucionalista de 1932, onde um povo em prol da legalidade e da democracia insurgiu-se contra a ditadura imposta. Diante do caos instaurado que estamos vivendo nada melhor do que cultivarmos a moral e o amor a Pátria e isto, se torna fácil quando nos reportamos a revolução Constitucionalista de 1932. 

29 de outubro

Ao entardecer deste dia h’a 60 anos, ss mesmas forcas que instalaram a ditadura em 1930, foram contra São Paulo em 1932, apoiaram o golpe de 1937, e após regressarem da Europa vitoriosas com os aliados por terem derrotado as ditaduras Nazi-Fascista de Hitler e de Mussolini a 8 de maio de 1945, neste mesmo ano destruíram a Ditadura no Brasil como queriam os Constitucionalistas Paulistas e nossos aliados, particularmente a pequenina e valente cidade Gaucha de Soledade.

Todas as cidades de São Paulo e todos os Brasileiros e Paulistas natos e por adoção estavam com São Paulo mais aquela brava gente Gaúcha, dentro de um estado que estava contra a Constituição não se intimidou, se armou e partiu para o combate ao comando d Gen Candido Carneiro Junior, O Gen Candoca.

Tão generosos são os paulistas que não comemoram esta data, porque chegou a hora da união de todos em torno de nosso rico pa’is para seguir as máximas de nossos grandes Heróis Se todos quisermos haveremos de fazer deste Pais uma grande Nação (Tiradentes) e Maldição eterna a quem ousar lembrar-se de nossas dissensões do passado, unam-se todos os brasileiros! Paz e tranqüilidade sejam de ora em diante a nossa divisa! Primeiro de marco de 1845 (Caxias). Ary Canavo.

Outubro/2006

A Bem da Verdade

No alvorecer do dia 29 agosto de 1961, o esquadrão de cavalaria, do 5.º RC, de Quari, no Rio Grane do Sul, o sentinela do Jarau, que mantinha a ordem  na base aérea de Canoas, onde 216 argentos prenderam os oficiais e sabotaram os jatos Gloster Meteor, liberou a pista para os coronéis Antonio Carlos de Andrada Serpa e Fontoura Rodrigues.

A missão de restabelecer a ordem foi mantida, e aqueles coronéis seguiram para Santa Maria, para convencer o Gen. Pery Bevilaqua, CMT da D E, de que a solução para a crise que se abriu co a renuncia do Presidente Jânio da Silva Quadros seria a de que o Presidente renunciasse a renuncia e continuasse, vigiando, a sua missão, e com isso se teriam evitado por desnecessárias as raízes da Revolução de 1964, que eclodiu menos de tr3 anos após.

As edições dos jornais da manha desse dia 29 de agosto registravam que o Gen. Pery Bevilaqua aderi a Brizola, e com isso se desenrolaram as previsões e os fatos que os coronéis com grande visão política proferiram.

Em São Paulo o Gen. Cordeiro de Farias que se preparava para a reação, suspendeu suas ações porque tinha informações de que as colunas que do Rio Grande do Sul se dirigiram pelas estradas para o norte, verdadeiros eixos de penetração, saudavam os aviões de reconhecimento com acenos de sus camisas brancas.

Mais tarde quando tivemos contato com alguns daqueles aviadores, ouvimos deles que os mesmos podendo destruir todas as colunas por tiros certeiros de seus aviões a jato, preferiam que aqueles brasileiros fossem atendidos nas suas bem intencionadas pretensões do que criarem um profundo e duradouro ressentimento de enorme repercussão entre o norte e o sul.

Agora, na edição de 7 de setembro de 2006, da Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro, na coluna de Sebastião Nery, o que lemos, “SEGURAR OS LOUCOS” Brasília-Janio Quadro renunciou em 25 de agosto de 1961, pegou um navio cargueiro, foi para a Europa. Quando voltou, novamente de cargueiro, na passagem pelo rio, o Gen. Cordeiro de Farias, que estava no Rio sem função foi a bordo visitá-lo. E contou em suas memórias.- nosso encontro foi comovente em sempre gostei muito dele. Era um louco maravilhoso. Quando nos encontramos no seu camarote, eu lhe disse. – faltou em Brasília alguém a seu lado, com serenidade para agir – agir como? – Eu o prenderia, rasgaria a carta renuncia, o levaria de avião para São Paulo e de lá para a casa de campo de um amigo, ate que acabasse a sua loucura.

Jânio levantou-se em prantos e disse:

 - O Senhor foi a primeira pessoa a afirmar que faria isso.

Jânio

Cordeiro disse que teria prendido Jânio mesmo tendo a impressão de que, o Horta (Ministro da Justiça) e o Quintanilha (chefe da casa civil) tiveram uma sensação de alivio com a renuncia de Jânio, o Pedroso que tinha mais intimidade comigo, dizia-me com freqüência, quando chega a noite em Brasília, tenho raiva da humanidade.

Quer dizer, concluía Cordeiro, ele tinha raiva de Jânio. Alias, logo após a renuncia, militares viram o Pedroso e o Quintanilha rindo, achando graça do blefe dado pela loucura de Jânio. “E preciso segurar os loucos, conte-los.

E, foi assim que na ausência de nossos superiores, todos já no plano superior, nos encontramos na obrigação de relata esses acontecimentos históricos, cabendo-nos humildemente transmitir o que foi de nosso conhecimento e de nossa disciplina hierarquia. Ary Canavo.

Surge novamente Caxias: Todos eram brasileiros.

8 de Março - Dia Internacional da Mulher 
Mundialmente vinculada às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, justiça e igualdade social, a passagem do Dia Internacional da Mulher, é um momento de reflexão sobre os abusos históricos contra as mulheres, mas também sobre as conquistas e mudanças sociais conseguidas. 
Exemplo da violência recente sofrida pela mulher aconteceu este ano, em Anapu, no Pará, quando a irmã Doroty foi cruelmente assassinada por pistoleiros. 
Ela lutava pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia e foi morta barbaramente em defesa dos ideais daqueles que a tinham como mulher atuante. 
Desvincular as lutas e conquistas da mulher a cada ano que passa não é possível, pois a própria criação do Dia Internacional da Mulher surgiu a partir de um episódio trágico, marcado e causado pela histórica repressão das mulheres. 
Em 1857, 129 tecelãs de Nova Iorque foram mortas carbonizadas dentro da fábrica onde trabalhavam porque organizaram uma greve por melhores condições de trabalho e contra a jornada de doze horas. 
No dia 08 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas e atearam fogo, matando as 129 operárias carbonizadas dentro de uma tecelagem 
A manifestação das operárias chamou a atenção na época por ser a primeira greve organizada exclusivamente por mulheres e pela tragédia do desfecho. Violentamente reprimidas pela polícia, as tecelãs refugiaram-se dentro da fábrica e no dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas e atearam fogo, matando as 129 operárias carbonizadas. 
A sensibilização da sociedade sobre o episódio e pelas causas femininas foram aumentando e foi em 1910 que surgiu a idéia de criar uma data para marcar as questões femininas e lembrar a morte das operárias. Durante a segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada na Dinamarca, a famosa ativista dos direitos femininos, Clara Zetkin, propôs que o 8 de março fosse declarado como o Dia Internacional da Mulher. Em 1911, mais de um milhão de mulheres se manifestaram, na Europa e a data passou a ser comemorada no mundo inteiro. 
Exploração
O papel da mulher na sociedade começou a mudar a partir da Revolução Francesa (1789), quando as mulheres passaram atuar de forma significativa na sociedade. Exploração e limitação de direitos marcaram essa participação feminina e aos poucos foram surgindo movimentos pela melhoria das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos. 
Na segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial a absorção do trabalho feminino pelas indústrias, como forma de baratear os salários, inseriu definitivamente a mulher na produção. Ela passou a ser obrigada a cumprir jornadas de até 17 horas de trabalho em condições insalubres e submetidas a espancamentos e humilhações, além de receber salários até 60% menores que os dos homens. 
As manifestações operárias surgiram na Europa e nos Estados Unidos, tendo como principal reivindicação a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Em 1819, depois de um enfrentamento em que a polícia atirou contra os trabalhadores, a Inglaterra aprovou a lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos. Foi também a Inglaterra o primeiro país a reconhecer, legalmente, o direito de organização dos trabalhadores, com a aprovação, em 1824, do direito de livre associação e os sindicatos se organizaram em todo o país. 
Com as mulheres engajadas nessas causas, muitas conquistas vieram e as poucos a classe feminina foi conquistando mais espaço, provando competência e força de trabalho. A cada geração as mulheres ficam mais independentes e, mesmo sem grupos organizados, as conquistas continuam. Mais do que uma luta pessoal, as mulheres - com consciência do poder da classe - também estão representadas junto às causas sociais, emitindo opiniões e reivindicando mudanças nos problemas das minorias. 
Por quê 8 de Março
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. 
Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. 
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". 
De lá para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma no mundo inteiro. 
Objetivo da celebração de comemoração da data
Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher, levando a consciência e o respeito do valor humano na sociedade. 
Assumir a importância que ocupa nos dias de hoje em quase todas as economias do mundo (apesar da submissão em países da África e do Oriente Médio) para se manifestar, contestar, protestar, opinar e lutar contra as limitações e opressões que vêm sendo impostos à mulher. 
Em 1917, após a morte de 2 milhões de soldados russos na I Guerra Mundial, mulheres russas protestaram pedindo "Pão e Paz". 
Quatro dias depois, o governo provisório da Rússia deu às mulheres o direito de voto. 
Esse dia era 23 de Fevereiro pelo calendário Juliano, 8 de Março pelo calendário Gregoriano, usado em praticamente todo o mundo. 
Em dezembro de 1977, a Assembléia Geral da ONU proclamou o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher, sendo celebrado até hoje em todo o mundo.
Revolução de 1930: 75 anos
Desde a primeira eleição direta para a presidência da República do Brasil, em que saiu vencedor o primeiro civil eleito, o paulista Prudente de Moraes em 1894, dois estados da federação, São Paulo e Minas Gerais, com raras exceções se revezavam no poder central, criando a chamada política do "Café com Leite". 
Com a eleição em 1926 de Washington Luis Pereira de Sousa, o "paulista de Macaé", (referência à cidade do Rio de Janeiro onde nasceu, embora tenha feito toda sua vida política em São Paulo), depreendia-se que o sucessor deste seria o presidente de Minas Gerais - na época, os estados federados tinham presidentes, não governadores -, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada. Mas, para a surpresa de todos e quebrando unilateralmente esse acordo tácito, Washington Luis indicou como seu sucessor o presidente de São Paulo, Júlio Prestes de Albuquerque. 
O Rio Grande do Sul era governado pelo ex-ministro da Fazenda de Washington Luis, Getúlio Dornelles Vargas. A sucessão era um assunto proibido naquele início de 1929, mas o secretário do Interior e Justiça do governo gaúcho, Oswaldo Aranha, em correspondência a Getúlio, escreveu: "Chegou a nossa vez..." 
O presidente da República era uma esfinge e ninguém o conseguia decifrar. Os políticos tentavam, em vão, saber a sua opinião sobre quem seria o possível sucessor presidencial, mas Washington Luis afirmava sempre que o assunto seria discutido na ocasião oportuna. 
O candidato da Aliança Liberal 
Getúlio Vargas resolveu escrever uma carta ao chefe da nação, informando sua pretensão em se candidatar. A reação do presidente foi de profunda irritação, e apesar de ser uma correspondência reservada, Washington Luis afirmou, em sua resposta, que iria fazer uma consulta aos outros presidentes, mas na verdade encaminhou a sua imposição da candidatura de Júlio Prestes. Dos 17 presidentes estaduais consultados, somente João Pessoa, da Paraíba, não endossou o nome do governador paulista. 
João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, sobrinho do Epitácio Pessoa, antigo presidente da República (1919-1922), ao ser indagado sobre o apoio ao candidato oficial, teria respondido com uma palavra: Nego! A palavra hoje faz parte da bandeira da Paraíba. João Pessoa seria indicado vice-presidente da chapa da Aliança Liberal de Getúlio Vargas. 
Com a preterição de seu nome no que era a sua grande ambição política, Antonio Carlos tomou a iniciativa de indicar o nome do presidente do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, à sucessão. O confronto estava armado. 
A eleição, marcada para o dia 1º de março de 1930, um sábado de Carnaval - só no Brasil poderia acontecer isso... -, era na realidade um jogo de cartas marcadas Ninguém tinha dúvidas de que o candidato do governo seria o grande vencedor do pleito. Mas o descontentamento em alguns estados da federação e de grande parte da população era acentuado. 
As escaramuças então começaram. Os comerciantes do interior ficaram descontentes com a política fazendária do governo paraibano, que proibiu que seus municípios fronteiriços fizessem comércio com os estados vizinhos, em especial com Pernambuco, apesar de serem mais próximos que a própria capital da Paraíba. O chefe político da cidade de Princesa, "coronel" José Pereira Lima, rebelou-se, e uma revolta armada se instalou no interior do estado, com o apoio nada sutil do governo federal e logístico da poderosa família pernambucana Pessoa de Queirós, que tinha grande interesse econômico na região. Os revoltosos tinham dois mil homens e a polícia estadual contava com apenas 850 homens. João Pessoa teve sérias dificuldades em sufocar essa rebelião, que durou de fevereiro a agosto de 1930, desgastando enormemente sua administração. 
A chapa governamental foi lançada em um suntuoso jantar no Rio de Janeiro, com os homens vestidos de smoking e polainas. Júlio Prestes tinha como seu vice-presidente o presidente do Estado da Bahia, Vital Soares, e após a homologação pelo Partido Republicano, saíram em campanha. Todos sabiam que já estavam eleitos. Era um jogo de cartas marcadas. 
No dia 1º de janeiro de 1930, Getúlio Vargas apresentou, em companhia de João Pessoa, sua plataforma de governo em um enorme e empolgante comício realizado na Esplanada do Castelo, na então Capital Federal, Rio de Janeiro. 
O resultado da eleição não deixou dúvidas, apesar dos inúmeros protestos contra as fraudes, que ocorreram dos dois lados em todo o Brasil. A vitória de Julio Prestes foi inconteste. O candidato situacionista recebeu 1.091.709 votos e Getúlio Vargas, pela oposição, recebeu 742.794 votos. 
Em 19 de março de 1930, Borges de Medeiros, líder do Partido Republicano Riograndense, o PRR, em entrevista ao jornal carioca A Noite, reconheceu a vitória de Júlio Prestes, dando por encerrada a campanha da oposição. Mas antes mesmo da divulgação dos resultados finais, começou a conspiração, sendo o grande artífice desse verdadeiro complô contra o poder central da República o secretário do governo gaúcho Oswaldo Aranha, que preparou e executou o plano revolucionário no Rio Grande do Sul e articulou o movimento com líderes de outros estados. 
Alheio aos acontecimentos que viriam a se desenrolar, o presidente eleito Júlio Prestes embarcou em 21 de maio de 1930 para uma viagem à América do Norte e à Europa, ficando quase dois meses ausente do país. Nos Estados Unidos, esteve em Washington, em retribuição a visita que o então presidente eleito Herbert Hoover fizera ao Brasil em fins de 1928. 
Durante a ausência de Júlio Prestes, um crime eminentemente passional iria mudar os rumos e a história do Brasil. No dia 25 de julho, João Pessoa foi a Recife visitar seu amigo, o juiz federal Francisco Tavares da Cunha Melo, que se encontrava hospitalizado. Quando se encontrava na confeitaria A Glória, no centro da cidade, foi alvejado e morto a tiros por João Dantas, aliado do coronel José Pereira, que se julgou ofendido pela divulgação, através do jornal do governo paraibano, de suas cartas íntimas trocadas com sua jovem amante, Anayde Beiriz. 
Após o assassinato, João Dantas foi ferido e preso. Posteriormente, ele e seu cunhado Augusto Caldas foram encontrados mortos na prisão, tendo a polícia afirmado que ambos haviam se suicidado. 
O cadáver de João Pessoa foi transportado em trem especial para a capital paraibana, sob a comoção e revolta popular. Ficou decidido que o enterro seria realizado no Rio de Janeiro, e de navio, foi transladado para a então capital federal. Em todos os portos em que a embarcação atracava, discursos inflamados eram pronunciados contra o governo de Washington Luis e, por extensão, contra o presidente eleito Júlio Prestes. 
Com os ânimos acirrados, sob a vista de milhares de pessoas, o corpo de João Pessoa recebeu as últimas homenagens no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério de São João Baptista. Essa tragédia sacudiu o país e foi a causa decisiva para a eclosão da Revolução de 1930. 
Movimento rebelde 
Preparado em total segredo, o movimento militar foi articulado no então chamado norte do país, sob o comando do capitão Juarez Távora, que ficaria conhecido como o "vice-rei do norte". Em Minas Gerais, Antonio Carlos e seu sucessor no governo mineiro, Olegário Maciel, eram os cabeças da rebelião. 
Faltando apenas 40 dias para a posse do novo presidente da República, as 17h30 da sexta-feira, dia 3 de outubro de 1930, eclodiu em Porto Alegre o movimento, que visava inicialmente tomar todas as instalações do Exército existentes no território gaúcho, além da sede dos Correios. O tiroteio se prolongou até o dia seguinte, quando inferiorizados em homens e armas, os militares se entregaram às tropas revolucionárias. 
Getúlio Vargas fez publicar na edição do dia 4 de outubro do jornal do governo A Federação um manifesto à nação no qual explicava a sua atitude. No Rio de Janeiro, surpreendido com os acontecimentos, o governo federal encaminhou mensagem em caráter de urgência para o Congresso Nacional solicitando a devida autorização para a instauração do Estado de Sítio no Distrito Federal e nos estrados conflagrados. Após uma longa e acalorada discussão entre os parlamentares de oposição e situação, a medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados por 121 a 8. No Senado Federal, a aprovação foi por unanimidade. 
A medida autorizava o chefe da nação a estender o Estado de Sítio para outros pontos do território nacional. Era um cheque em branco. Washington Luis solicitou também ao Congresso Nacional a abertura de um crédito especial de até 100.000:000$000 (cem mil contos de réis) "para ocorrer às despesas com a manutenção da ordem pública". A crise na economia mundial vinha desde o ano anterior, quando da quebra da Bolsa de Valores de Nova York. A situação econômica no Brasil, que já era difícil desde a queda do nosso maior produto de exportação, o café, com a revolução acabou se complicando ainda mais, com o enorme déficit no orçamento da União. Esse montante no déficit só seria ultrapassado em 1942, quando foi declarada a guerra aos paises do Eixo. 
No dia 5 de outubro, a luta continuava em Minas Gerais, onde o governo reclamava da falta de munição. No Paraná, a situação estava quase definida a favor dos revoltosos, com o envio de reforços de tropas gaúchas. No nordeste, os governos eram depostos, um atrás o outro, pelas tropas sob o comando de Juarez Távora. 
Getúlio Vargas, em 11 de outubro, sob aclamação popular, partiu de trem de Porto Alegre em direção ao Rio de Janeiro. A preocupação era a atitude a ser tomada em relação ao Estado de São Paulo, onde o governo federal concentrava suas tropas. A cidade de Itararé, na divisa com o Paraná, ficaria famosa por "uma batalha que não houve". 
Em todas as estações, Vargas era delirantemente recebido por multidões. Em uma acidentada viagem, com várias quebras e até descarrilamento, o trem chegou, no dia 17 de outubro, à cidade paranaense de Ponta Grossa, onde os estados-maiores civil e militar da revolução encontraram-se com as tropas de vanguarda, iniciando os preparativos para o ataque ao Estado de São Paulo. 
Assumindo o comando das tropas revolucionárias, Getúlio Vargas, tendo o então coronel Góes Monteiro como seu chefe militar, aguardou a chegada dos reforços para a ofensiva final, e foram feitos planos para a invasão ao território paulista. No dia 20, o trem deslocou-se até Curitiba, já em poder dos revolucionários. Na capital paranaense, Vargas foi homenageado pela população. Em 23 de outubro retornaram a Ponta Grossa. 
Na manhã do dia 24 de outubro, notícias desencontradas vindas do Rio de Janeiro informavam o início de um movimento militar na capital do país contra o presidente Washington Luis, que culminaria com a sua deposição e o fim da República Velha.
Antônio Sérgio Ribeiro, advogado e pesquisador. É funcionário da Secretaria Geral Parlamentar da ALESP
DESARMAMENTO: A ALEGRIA DO CRIME!
História para quem esqueceu, ou nunca soube:
Em 1929, a União Soviética desarmou a população ordeira. De 1929 a 1953, cerca de 20 milhões de dissidentes, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Em 1911, a Turquia desarmou a população ordeira. De 1915 a 1917, um milhão e meio de armênios, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Em 1938, a Alemanha desarmou a população ordeira. De 1939 a 1945, 13 milhões de judeus e outros "não arianos", impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Em 1935, a China desarmou a população ordeira. De 1948 a 1952, 20 milhões de dissidentes políticos, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Em 1964, a Guatemala desarmou a população ordeira. De 1964 a 1981, 100.000 índios maias, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Em 1970, Uganda desarmou a população ordeira. De 1971 a 1979, 300.000 cristãos, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Em 1956, o Camboja desarmou a população ordeira. De 1975 a 1977, um milhão de pessoas "instruídas", impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Pessoas indefesas caçadas e exterminadas nos países acima, no século XX, após o desarmamento da população ordeira, sem que pudessem se defender: 56 milhões.
Há doze meses o governo da Austrália editou uma lei obrigando o proprietários de armas a entregá-las para destruição. 640.381 armas foram entregues e destruídas, num programa que custou aos contribuintes mais de US$ 500 milhões. Os resultados, no primeiro ano, foram os seguintes:
Os homicídios subiram 3.2%, as agressões 8.6%, os assaltos a mão armada 44%. Somente no estado de Victoria, os homicídios subiram 300%.
Houve ainda um dramático aumento no número de invasões de residências e agressões a idosos. Os políticos australianos estão perdidos, sem saber como explicar aos eleitores a deterioração da segurança pública,após os esforços e gastos monumentais destinados a "livrar das armas a sociedade australiana".
Naturalmente, a população ordeira entregou suas armas, enquanto os criminosos ignoraram essa lei, como já ignoravam as demais.
O mesmo está acontecendo no Reino Unido. País tradicionalmente tranquilo, onde até a polícia andava desarmada, adotou o desarmamento da população ordeira. Pesquisa realizada pelo Instituto Inter-regional de Estudos de Crime e Justiça das Nações Unidas revela que Londres hoje é considerada a capital do crime na Europa. Os índices de crimes a mão armada na Inglaterra e no País de Gales cresceram 35% logo no
primeiro ano após o desarmamento. Segundo o governo, houve 9.974 crimes envolvendo armas entre abril de 2001 e abril de 2002. No ano anterior, haviam sido 7.362 casos.
Os assassinatos com armas de fogo registraram aumento de 32%. Apolícia já está armada.
Nos Estados Unidos, onde a decisão de permitir o porte de armas é adotada independentemente por cada estado, todos os estados com leis liberais quanto ao porte de armas pela população ordeira têm índices de crimes violentos em muito inferiores à média nacional, enquanto os estados com maiores restrições ostentam índices de crimes violentos expressivamente superiores à média nacional. Washington, onde a proibição é total, é a cidade mais violenta dos EUA.
Você não verá as informações acima disseminadas na imprensa local. Com honrosas exceções, a imprensa está fechada com as ONGs internacionais que pregam o desarmamento, por mais perigoso e ineficaz, Deus sabe com que propósitos.
Armas em poder da população ordeira e responsável salvam vidas e defendem propriedade. Leis de desarmamento afetam somente a população ordeira.
Em 2003, com a aprovação do absurdo Estatuto do Desarmamento, o Brasil iniciou o processo de desarmar a população ordeira. Salvo engano, isso quer dizer Você. E se você não lutar contra isso, você ou sua família poderão ser as próximas vítimas indefesas.
Com armas, somos cidadãos. Sem armas, somos súditos. Quem desarma a vítima fortalece o agressor. Na hora do perigo, será que a polícia vai estar lá? Chamar a polícia pode levar alguns segundos, esperar por ela pode levar o resto da sua vida. Uma arma na mão é melhor que um policial ao telefone.
O Brasil tem a mania de andar na contra-mão da história. E aqueles que tomam, por nós, as decisões, estão confortavelmente protegidos pelo aparato de segurança do Estado, circulando em carros blindados, tudo pago pelo nosso dinheiro. A única coisa que temem é o uso consciencioso do voto. Do nosso voto.
Quem não luta pelos seus direitos, não tem direitos. Repassar essa mensagem pode ser a sua forma de lutar. Escolher bem na hora de votar, exigir o compromisso de cada candidato com a sua segurança, também.
Não atire para matar, mas atire para ficar vivo. Criminosos adoram o desarmamento das vítimas.
Faz a atividade deles muito mais segura.
8agosto/ Bomba atômica: 60 anos de uma tragédia mundial

O início da corrida pela bomba

Poucos sabem, mas a Alemanha nazista é que iniciou e liderou a corrida armamentista nuclear: os cientistas alemães eram especialistas em pesquisas militares desde a I Grande Guerra.

Em 1934, Leo Slizard, um húngaro que havia sido obrigado a emigrar para a Inglaterra por sua ascendência judaica, descobriu que os nêutrons podiam ser usados para dividir os átomos e criar uma reação em cadeia. No mesmo ano, o italiano Enrico Fermi bombardeou urânio com nêutrons e o dividiu. Foi um passo para criar a reação nuclear em cadeia.

Com a liderança da Europa nas pesquisas, os alemães tinham os melhores cientistas na área, entre eles o jovem Werner Karl Heisenberg, ganhador do Premio Nobel de Física de 1932. Em dezembro de 1938, no Instituto de Química Kaiser Guilherme, cientistas alemães demonstraram pela primeira vez a fissão do urânio 235.

Os cientistas Szilard e Fermi, preocupados com o potencial destrutivo da energia atômica, mudaram-se para os Estados Unidos, onde compartilharam seus medos com Albert Einstein. Muitos dos grandes físicos alemães eram judeus, e sob o regime anti-semita nazista, foram obrigados a fugir para os Estados Unidos e a Inglaterra, onde colaboraram nas pesquisas nucleares.

Na Alemanha, Paul Arteke, professor de Química da Universidade de Hamburgo, um dos primeiros a defender o uso da energia atômica como arma, escreveu, em 24 de abril de 1939, uma carta ao ministro da guerra alemão, na qual ele declarava que físicos nucleares alemães eram capazes de criar explosivos de força gigantesca e quem os controlasse venceria seus inimigos com facilidade.

O ministro do Armamento da Alemanha, Albert Speer, encorajou Werner Heisenberg a continuar suas pesquisas e na primavera de 1942, Heisenberg foi confirmado chefe do programa atômico nazista, sendo nomeado diretor do Instituto Kaiser Guilherme. Um ano antes, Heisengerb havia apresentado um projeto para um reator nuclear. Esse projeto necessitava enorme quantidade de eletricidade e a Noruega, sob controle da Alemanha, tinha um amplo complexo hidrelétrico em que os alemães estavam produzindo água pesada (substância necessária às reações nucleares com urânio) em estado bastante adiantado.

Preocupados, os ingleses resolveram, em 19 de novembro de 1942, enviar um comando da 1ª Divisão de Pára-quedistas à Noruega, para destruir a usina de Notodden - Telemark, que produzia a água pesada, mas os dois planadores utilizados na operação se acidentaram, e os poucos sobreviventes foram sumariamente fuzilados pelos nazistas. No ano seguinte, em 16 de fevereiro de 1943, seis noruegueses, vestidos e armados como ingleses para evitar represálias ao povo do país, saltaram de pára-quedas nas geladas montanhas da Noruega, esquiaram até a usina alemã de produção de água pesada. Na noite de 27 de fevereiro, atacaram a usina com bombas, destruíram 350 quilos de água pesada e inutilizaram a usina por vários meses. Reconstruída, a usina foi atacada nove meses depois por um esquadrão de bombardeiros americanos, mas não foi totalmente destruída. Os nazistas então resolveram transferir a produção de água pesada para a Alemanha. No dia 20 de fevereiro de 1944, o ferry-boat Hydro, que levava a preciosa carga, foi afundado no meio do Lago Tinnsjo.

A pesquisa nuclear nos Estados Unidos

Leo Szilard, que se havia se transferido para os Estados Unidos, tentou convencer os norte-americanos da necessidade de um programa de energia atômica para fins militares. Em conversa com Albert Einstein, informou que os alemães haviam conseguido dividir o átomo. Preocupado com as informações e por sugestão de Leo Szilard, Einstein, no dia 2 de agosto de 1939, escreveu uma carta ao presidente dos Estados Unidos, alertando sobre o avanço alemão na física nuclear. Albert Einstein não estava interessado na energia nuclear para fins militares. Sua carta foi o primeiro passo para a criação do Projeto Manhanttan, a busca americana por uma arma nuclear.

Apesar de os primeiros estudos terem sido iniciados somente após a entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, depois do ataque à Base Militar de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, é que foi instituído o programa nuclear americano, em 1942. O programa recebeu o nome de Projeto Manhattan, e em 17 de setembro o general-brigadeiro Leslie Richard Groves, que havia sido responsável pela direção na construção do Pentágono, sede do Departamento de Estado americano, foi designado para dirigir e cuidar do projeto. O Manhattan era considerado um segredo de estado e nem o vice-presidente dos Estados Unidos sabia de sua existência.

O responsável pelas pesquisas foi o físico norte americano Robert Oppenheimer, que coordenou todos os demais cientistas. O projeto foi desenvolvido em treze locais diferentes no território norte-americano, mas somente três tinham o domínio pelo projeto: Hanford, em Washington, Oak Ridge, no Tennessee, e Los Alamos, no Novo México. O projeto Manhattan acabou consumindo dois bilhões de dólares à época.

Enquanto os cientistas trabalhavam nas pesquisas atômicas, os militares começaram a pensar em como levar a bomba para ser lançada sobre os inimigos. O comandante da Força Aérea americana, general Henry "Hap" Arnold, havia autorizado a criação de uma unidade ultra-secreta para realizar as missões da bomba atômica, que recebeu o nome código de Silver Plate. Em 1º de setembro de 1944, o coronel Paul Tibbets, de apenas 29 anos, foi designado para cuidar da parte operacional. Com carta branca dos superiores, ele convocou todos aqueles que tripularam seu bombardeiro B-17 nos raids sobre a Alemanha, e foi formado o 509º Grupo Composto, sob o comando de Tibbets.

Desde que voltara da Europa, ele era piloto de teste de um novo avião, o B-29, um gigantesco quadrimotor pressurizado que voava em uma altitude em que era impossível ser atingido por baterias antiaéreas ou por aviões caças inimigos. O projeto dessa nova aeronave custou ao governo dos Estados Unidos um bilhão de dólares a mais que a construção da bomba atômica.

No dia 9 de maio de 1945, Tibbets esteve na fábrica da Martin Aircraft, em Omaha, no Estado de Nebraska, e escolheu o aparelho número de série 44-86292, que seria adaptado para o transporte da bomba.

Com a chegada da tripulação por ele designada e do avião, em 14 de junho de 1945, começou em Wendover, no Estado de Utah, em um local deserto, os testes de vôos e de procedimento para o lançamento da bomba, sendo utilizadas artefatos do mesmo tamanho e peso, mas com concreto dentro e não explosivos.

Em 2 de julho, toda a equipe voou para a Ilha de Tiniam, localizada no Arquipélago das Marianas, entre a Austrália e o Japão, que havia sido conquistada dos japoneses pouco antes, após dura batalha. Entre o dia 7 e 31 de julho, o B-29 participou de diversos ataques ao Japão, inclusive às cidades de Kobe e Nagoya. Era o adestramento necessário para a tripulação.

No dia 26 de julho, durante a conferência de Postdam, na Alemanha ocupada, com o ditador soviético Joseph Stalin, o primeiro ministro inglês Winston Chuchill, e o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman (Roosevelt morrera em abril), os aliados mandaram um ultimato ao governo japonês, para que se rendesse incondicionalmente, o que foi ignorado pelo primeiro-ministro do Japão, almirante Kantaro Suzuki, em 28 de julho. Ante a negativa dos japoneses, no dia 02 de agosto, ainda em Postdam, o presidente americano deu a ordem oficial para bombardear o Japão com o novo artefato atômico. Dias antes, uma bomba nuclear havia sido testada pela primeira vez no mundo perto de Alamogordo, no deserto do Novo México. A explosão surpreendeu os cientistas e demais participantes da experiência, pois toda a área em torno da torre da qual foi lançada a bomba havia se tornado vidro em razão do extremo calor.

Hiroshima

Na noite de 5 de agosto de 1945 tiveram início os preparativos para a missão. A tripulação até então não sabia que iria lançar uma bomba atômica. Às 2h27 da madrugada do dia 6 de agosto, Tibbets, pouco antes de acionar os motores da Super-Fortaleza B-29, batizada por ele de Enola Gay, nome de solteira de sua mãe, pediu aos jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas, alem do pessoal da base, para que se afastassem do aparelho, e nessa hora um fotógrafo pediu para ele acenar para a câmera, essa cena ficou famosa no mundo inteiro.

A tripulação do Enola Gay, era composta de por 12 homens, incluindo os técnicos que iriam ativar a bomba.

Dois aviões B-29, o Great Artiste e o Nº 91 acompanhavam o Enola Gay, um para fotografar e filmar a missão e outro com equipamentos para medir a explosão nuclear; mais três aviões voavam na frente para passar as informações meteorológicas que iriam indicar a cidade escolhida para o lançamento da bomba. As opções eram Hiroshima, Kokura e Nakasaki. Um sétimo aparelho ficou de reserva.

A escolha recaiu sobre Hiroshima, que contava com 256.000 habitantes. O Enola Gay percorreu 2.400 km entre Tinian e o Japão, voando em uma velocidade de 520 km/h, e 10.600 metros de altitude. Tibbets, antes de soltar a bomba, determinou que a tripulação colocasse seus óculos especiais com três camadas de lentes para evitar a cegueira. Às 8h15 de 6 de agosto de 1945, a bomba denominada Little Boy (garotinho), de 3 metros de comprimento e 75 cm de largura, e pesando 4 toneladas, com 72 quiilos de urânio 235, foi lançada sobre a cidade, demorou 43 segundos até explodir 576 metros acima da clínica Shima, a 800 m do alvo indicado: a ponte Aioi, em forma de "T", localizada no centro da cidade japonesa.

A temperatura do núcleo da bomba foi de 50 milhões de graus centígrados e liberou 500 milhões de volts de energia. Tudo que estava pelo menos a dois quilômetros foi destruído pela explosão equivalente a 13 mil toneladas de TNT. 70 mil pessoas morreram imediatamente. Uma enorme nuvem em forma de cogumelo de poeira cinza, marrom e negra subiu pelo céu. Hiroshima ficou às escuras, o sol tinha desaparecido, e uma chuva negra radiativa. Até o fim do ano de 1945, outras 60 mil morreram vítimas das seqüelas da explosão nuclear.

O presidente Truman soube do lançamento da bomba sobre Hiroshima quando retornava da conferência de Potsdam aos Estados Unidos a bordo do cruzador americano USS Augusta. Pelo som interno do navio de guerra ele falou para a tripulação que "esse é o maior evento da história" e depois anunciou ao mundo: "Pouco tempo atrás, um avião americano lançou uma bomba em Hiroshima e destruiu sua utilidade para o inimigo. Os japoneses começaram a guerra pelo ar em Pearl Harbor. Receberam o troco muitas vezes. E ainda não acabou. Com esta bomba adicionamos um novo e revolucionário incremento em destruição".

Em Los Alamos, houve júbilo entre os cientistas, mas nem todos comemoraram, alguns tiveram um impacto negativo, a destruição da cidade e principalmente de vidas humanas era na verdade um momento infeliz.

A Rádio de Tóquio, em seu noticiário sobre o ataque a Hiroshima, informou que "os danos eram de pequena monta..." A primeira bomba atômica não havia, até onde o governo e os militares norte-americanos sabiam, dado o impacto que esperavam sobre o imperador ou o gabinete de guerra do Japão, que ainda não havia decidido aceitar a Declaração de Potsdam. Nada indicava, através dos suíços ou de outros, que estavam mudando de idéia sobre o fim da guerra.

Após três dias de aguardo de um pronunciamento do governo japonês, e sem nenhuma resposta, os americanos estavam prontos para usar a segunda arma atômica, agora de plutônio, a Fat Man (homem gordo) pelo seu formato. Essa bomba trazia várias mensagens escritas de aviadores para os japoneses e seu imperador.

Nakasaki

O alvo principal não era Nakasaki e sim a cidade de Kokura mas, ao ser localizada pela tripulação do B-29, denominado Bockscar, a cidade japonesa estava encoberta por espessas nuvens. O avião sobrevoou três vezes Kokura, mas na impossibilidade de lançar a bomba sobre esse alvo, o major Charles W. Sweeney, que comandava a missão, se reuniu com capitão da marinha Frederick L. Ashworth, responsável por armar a bomba atômica, e com o navegador do bombardeiro, capitão James Van Pelt, e decidiram partir para o alvo secundário, a cidade de Nakasaki, que contava com uma população de 173.000 pessoas e possuía fábricas de armamento com trabalhadores japoneses, parte deles universitários, alem de coreanos e prisioneiros aliados.

O navegador Van Pelt olhava pelo que determinava o local aonde deveria cair a bomba de plutônio, apelidada de "Fat Man". Ela tinha 2.34 cm de comprimento, por 1.52 cm de largura, e pesava 4.545 kg. Tinha o equivalente a 20 toneladas de TNT, portanto mais potente do que a bomba jogada em Hiroshima. Ao localizar o alvo, Van Pelt pediu ao major Sweeney que fizesse uma curva à direita, e apontou para as fábricas de aço e armas da Mitsubishi e lançou a bomba. Eram 11h02 de 9 de agosto de 1945. A tripulação ainda pôde dar uma olhada na cidade ao sair, e viu o mesmo que havia acontecido antes em Hiroshima, a nuvem horizontal sobre a cidade, depois um cogumelo maior desta vez saindo do topo.

A bomba explodiu a 550 metros do chão, bem em cima do bairro cristão da cidade; um clarão fortíssimo no céu foi visto por todos, a potente bomba de plutônio, destruiu tudo em uma área de 3 por 5 km, fazendo queimar toda a vegetação das encostas das montanhas que circundavam a cidade, a 14 km em linha reta, ficando com um tom marrom. Perto de 35 mil pessoas morreram na hora, e calcula-se que mais de 100 mil morreram nos anos seguintes, vítimas da radiação nuclear.

O fim da guerra

Cinco dias depois, no dia 14 de agosto, o imperador foi obrigado a aceitar o inevitável. No palácio, Hiroito gravou uma mensagem de rendição. Naquela noite, oficiais fanáticos, recusando-se em aceitar a derrota, tentaram dar um golpe militar e roubar a gravação para que a mensagem não chegasse ao seu povo. Esse ato final de desespero dos militares falhou e eles foram logo presos.

No dia seguinte, a gravação foi ao ar pelo rádio e foi reproduzida por alto-falantes localizados em todo o Japão. Era a primeira vez que o povo ouvia a voz do seu imperador. Com a voz embargada ele explicou o motivo da cessão das hostilidades, mas em momento algum usou a palavra rendição. Todos ficaram comovidos, havendo uma mistura de emoções que fez todos chorarem, inclusive pelas ruas. Todos sabiam que o Japão havia perdido a guerra, o que não ocorria há séculos.

No dia 2 de setembro de 1945, a bordo do encouraçado USS Missouri, a delegação japonesa chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Mamoru Shigemitusu, e composta por onze pessoas, sendo 4 civis e 7 militares, entre eles o general Yoshijiro Umezu, chefe do Estado-Maior-Geral do Exército, foi recebida pelo comandante supremo das Forças Aliadas no Pacífico, general Douglas MacArthur. Enquanto a representação japonesa assinava o documento, uma esquadrilha de 462 aviões B-29, sobrevoaram a Baía de Tóquio e o Missouri.

Apesar de os aliados exigirem rendição incondicional, Truman tinha feito um acordo secreto com o Japão, através da embaixada da Suíça. Após a explosão das bombas, o presidente dos Estados Unidos tinha decidido que o imperador poderia ficar como líder de seu país. Era uma completa reversão da sua política de Postdam. Mas permanece a pergunta: se essa concessão tivesse sido feita antes, poderia ter tido uma paz negociada, muitas vidas teriam sido salvas e teria sido evitado o uso das bombas atômicas.

O que é nanotecnologia?

Há mais de 2.500 anos, alguns filósofos gregos se perguntavam se a imensa variedade do mundo que nos cerca não pode ser reduzida a componentes mais simples. A própria palavra átomo vem daquele tempo e significa "indivisível".
A última fração da matéria, segundo esses filósofos o "tijolo" fundamental de tudo o que existe, não poderia mais ser dividida em outras partes mais simples. Podemos fazer uma comparação elementar, apenas para fins didáticos.
Em uma padaria, você encontra uma grande variedade de pães, bolos, biscoitos,
tortas, todos produzidos a partir de um pequeno número de ingredientes:
farinha, fermento, manteiga, óleo, açúcar, chocolate etc... Muitas vezes, os ingredientes de pães diferentes são os mesmos, apenas mudam suas quantidades
relativas e a forma de preparação. Da mesma maneira, quando olhamos o mundo a
nossa volta, vemos uma variedade incrível de seres vivos e objetos inanimados, de um grão de areia a galáxia, de um vírus a uma baleia. Quantos tipos de "ingredientes" diferentes são necessários para produzir esse mundo?

Entre os gregos e a nossa época, muito se aprendeu sobre o universo. Sabemos, hoje, que o mundo que nos é familiar é formado por átomos, não exatamente aqueles imaginados inicialmente, mas que com eles compartilham o papel de "tijolos" fundamentais. Aprendemos que, ao contrário do que diz seu nome,eles são, de fato, divisíveis (mas isto é uma história para outra ocasião). Os átomos são formados por um núcleo positivo, onde reside praticamente toda sua massa, e por elétrons, negativos, que circulam em torno do núcleo. Sabemos,também, que ocorrem naturalmente no universo apenas noventa e dois tipos de átomos diferentes. Estes tipos podem ser classificados pelo número de prótons (partículas sub-atômicas de carga elétrica positiva) contidos em seus núcleos.
Sabemos ainda que esses átomos podem não ser o fim da história, pois pode haver no universo partículas ou alguma forma de energia ainda não descobertas -  ou pode ser que nossas teorias sobre o universo precisem algum dia ser revisadas, se esses novos "ingredientes" não forem encontrados. Tudo isto é parte do mundo fascinante da pesquisa científica - cada pergunta respondida leva a novas perguntas. Em ciência, as respostas raramente são definitivas, mas as perguntas perduram.

A certeza científica de que tudo é feito de átomos é muito recente. Há apenas cerca de cem anos, os cientistas obtiveram evidências fortes de que a velha hipótese atômica, formulada há dois e meio milênios, corresponde à realidade da natureza. No decorrer do século XIX, os químicos foram, aos poucos se convencendo de que a melhor maneira de explicar quantitativamente reações químicas é supondo que essas se dão entre unidades bem definidas de cada composto. Alguns físicos, já quase no final do século XIX, formularam uma teoria "estatística" da matéria, na qual se busca explicar o comportamento dos corpos com os quais lidamos quotidianamente pelo comportamento dessas pequenas unidades "invisíveis" da matéria, os átomos e as moléculas (moléculas são átomos do mesmo tipo ou de tipos diferentes, fortemente ligados entre si,formando novas entidades, com propriedades físico-químicas distintas). Essas teorias foram recebidas, inicialmente, com grande ceticismo pela própria comunidade científica. Por que tanta dificuldade para aceitar uma idéia velha
de milênios?

O problema é que átomos são muito pequenos, medem menos de um centésimo de 
bilionésimo de metro, e obedecem a leis físicas bastante diferentes daquelas com as quais estamos acostumados no nosso mundo familiar. O seu tamanho é tal que não podem ser vistos diretamente. Instrumentos especiais tiveram de ser desenvolvidos antes que fosse possível "ver" um átomo. Um dos mais práticos desses instrumentos, o microscópio de tunelamento, somente foi inventado na década de 1980. Seus inventores, Heinrich Rohrer e Gerd Binnig, dos laboratórios da IBM em Zürich, Suíça, ganharam o prêmio Nobel por seus trabalhos. O funcionamento desse microscópio depende das leis da mecânica quântica, que governam o comportamento dos átomos e moléculas. Portanto, a existência de átomos e as leis da natureza no mundo atômico tiveram de ser pacientemente descobertas a partir de experimentos especialmente concebidos.
Este processo levou décadas e envolveu grandes cientistas.

Instrumentos como o microscópio de tunelamento e outros estendem nossa "visão" até tamanhos na faixa de bilionésimo de metro. Um bilionésimo de metro chama- se "nanômetro", da mesma forma que um milésimo de metro chama- se "milímetro". "Nano" é um prefixo que vem do grego antigo (ainda os gregos!) e significa "anão". Um bilionésimo de metro é muito pequeno. Imagine uma praia começando em Salvador, na Bahia, e indo até Natal, no Rio Grande do Norte.
Pegue um grão de areia nesta praia. Pois bem, as dimensões desse grão de areia estão para o comprimento desta praia, como o nanômetro está para o metro. É algo muito difícil de imaginar. Mesmo cientistas que trabalham com átomos todos os dias, precisam de toda sua imaginação e muita prática para se familiarizar com quantidades tão pequenas.

Ainda antes dos cientistas desenvolverem instrumentos para ver e manipular átomos individuais, alguns pioneiros mais ousados se colocavam a pergunta: o que aconteceria se pudéssemos construir novos materiais, átomo a átomo,manipulando diretamente os tijolos básicos da matéria? Um desses pioneiros foi um dos maiores físicos do século XX: Richard Feynman. Feynman, desde jovem, era reconhecido como um tipo genial. Uma de suas invenções foi o primeiro uso de processadores paralelos do mundo. Em Los Alamos, na época do desenvolvimento da primeira bomba nuclear, havia a necessidade de se realizarem rapidamente cálculos muito complexos. Feynman, então, teve a idéia de dividir os cálculos em operações mais simples, que podiam ser realizadas simultaneamente, e encheu uma sala com jovens secretárias, cada qual operando uma máquina de calcular (naquela época não havia computadores, nem
calculadoras eletrônicas, e as contas tinham de ser feitas à mão, ou com calculadoras mecânicas limitadas às mais simples operações aritméticas).

Hoje em dia, essa mesma idéia é usada em computadores de alto desempenho, com
microprocessadores substituindo as jovens secretárias! Em 1959, em uma palestra no Instituto de Tecnologia da Califórnia, Feynman sugeriu que, em um futuro não muito distante, os engenheiros poderiam pegar átomos e colocá-los onde bem entendessem, desde que, é claro, não fossem violadas as leis da natureza. Com isso, materiais com propriedades inteiramente novas, poderiam ser criados. Esta palestra, intitulada "Há muito espaço lá embaixo" é, hoje, tomada como o ponto inicial da nanotecnologia. A idéia de Feynman é que não precisamos aceitar os materiais com que a natureza nos provê como os únicos possíveis no universo. Da mesma maneira que a humanidade aprendeu a manipular o barro para dele fazer tijolos e com esses construir casas, seria possível, segundo ele, manipular diretamente os átomos e a partir deles construir novos materiais que não ocorrem naturalmente. Um sonho? Talvez, há quarenta anos
atrás. Mas, como o próprio Feynman dizia em sua conferência, nada, nesse sonho, viola as leis da natureza e, portanto, é apenas uma questão de conhecimento e tecnologia para torná-lo realidade. Hoje, qualquer toca-disco de CD's é uma prova da verdade do que Feynman dizia. Os materiais empregados na construção dos lasers desses toca-discos não ocorrem naturalmente, mas são fabricados pelo homem, camada atômica sobre camada atômica.

O objetivo da nanotecnologia, seguindo a proposta de Feynman, é o de criar novos materiais e desenvolver novos produtos e processos baseados na crescente capacidade da tecnologia moderna de ver e manipular átomos e moléculas. Os países desenvolvidos investem muito dinheiro na nanotecnologia. Mais de dois bilhões de dólares por ano, se somarmos os investimentos dos Estados Unidos,
Japão e União Européia. Países como Coréia do Sul e Taiwan, que têm sido muito
melhor sucedidos que o Brasil na utilização de tecnologias modernas para gerar
bons empregos e riquezas para seus cidadãos, também estão investindo centenas
de milhões de dólares nessa área. nanotecnologia não é uma tecnologia
específica, mas todo um conjunto de técnicas, baseadas na Física, na Química, na Biologia, na ciência e Engenharia de Materiais, e na Computação, que visam estender a capacidade humana de manipular a matéria até os limites do átomo.
As aplicações possíveis incluem: aumentar espetacularmente a capacidade de armazenamento e processamento de dados dos computadores; criar novos mecanismos para entrega de medicamentos, mais seguros e menos prejudiciais ao
paciente dos que os disponíveis hoje; criar materiais mais leves e mais
resistentes do que metais e plásticos, para prédios, automóveis, aviões; e
muito mais inovações em desenvolvimento ou que ainda não foram sequer
imaginadas. Economia de energia, proteção ao meio ambiente, menor uso de
matérias primas escassas, são possibilidades muito concretas dos
desenvolvimentos em nanotecnologia que estão ocorrendo hoje e podem ser
antevistos.

No Brasil, a nanotecnologia ainda está começando. Mas, já há resultados
importantes. Por exemplo, um grupo de pesquisadores da Embrapa, liderados pelo
Dr. L. H. Mattoso, desenvolveu uma "língua eletrônica", um dispositivo que
combina sensores químicos de espessura nanométrica, com um sofisticado
programa de computador para detectar sabores. A língua eletrônica da Embrapa,
que ganhou prêmios e está patenteada, é mais sensível do que a própria língua
humana. Ela é um produto nanotecnológico, pois depende para seu funcionamento
da capacidade dos cientistas de sintetizar (criar) novos materiais e de
organizá-los, camada molecular por camada molecular, em um sensor que reage
eletricamente a diferentes produtos químicos. Você pode imaginar alguns usos
para uma língua eletrônica? Para saber mais, visite a págin cnpdia.embrapa.br. Não é só na Embrapa, entretanto, que se faz nanotecnologia no Brasil. O mesmo acontece nas principais universidades e centros de pesquisa do país.

Aplicações em catálise - isto é, na química e na petroquímica, em entrega de
medicamentos, em sensores, em materiais magnéticos, em computação quântica,
são alguns exemplos da nanotecnologia sendo desenvolvida no Brasil. O que
precisamos agora é aprender a transformar todo este conhecimento em riquezas
para o país.

A nanotecnologia é extremamente importante para o Brasil, por que a indústria
brasileira terá de competir internacionalmente com novos produtos para que a
economia do país se recupere e retome o crescimento econômico. Esta competição
somente será bem sucedida com produtos e processos inovadores, que se comparem
aos melhores que a indústria internacional oferece. Isto significa que o
conteúdo tecnológico dos produtos ofertados pela indústria brasileira terá de
crescer substancialmente nos próximos anos e que a força de trabalho do país
terá de receber um nível de educação em ciência e Tecnologia muito mais
elevado do que o de hoje. Este é um grande desafio para todos nós.Cylon Gonçalves da Silva é físico, ex-diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e idealizador do Centro Nacional de Referência em Nanotecnologia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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fim.